Dia 2

Click.

–Quatro de março, sessão quatro de Bruce Wayne. Olá, Bruce, boa noite. Como você está?

–Estou bem. Desculpe-me por ter tido que mudar o horário da sessão. Precisaram de mim numa reunião da Wayne Mining.

–Não há problema. Embora eu admita que me perturbou um pouco.

–Oras, por que, doutora?

–Nem pelo horário, não me leve a mal. É que aqui é… Ligeiramente assustador depois que anoitece.

–Não há o que temer, Dra. Kerman. Todos os malucos estão trancados em suas celas.

Pausa.

–Por que você escolheu que nossos encontros fossem aqui?

–Achei que seria apropriado.

–Você acha que é apropriado que você esteja aqui?

–Bem, eu estou com você, não é?

–A ideia de que apenas pessoas com problemas psicológicos precisam de acompanhamento apropriado é ultrapassada, Bruce. Todos nós temos conflitos, angústias que precisamos enfrentar e superar, e algumas são grandes demais para conseguirmos vencer sozinhos.

–Para isso que existem os amigos.

–Você tem muitos amigos, Bruce?

Pausa.

–Eu gosto do silêncio.

–Perdão?

–Eu escolhi aqui porque você já tem um consultório instalado, e eu gosto do silêncio. Meu pai era cirurgião, mas também um entusiasta da psicologia. Ele vinha aqui com frequência conversar com os residentes, ver se havia algo faltando, se ele poderia ajudar de alguma forma.

–E você sente a mesma ânsia?

–Não.

–Então por que você volta?

–Eu já disse: pelo silêncio.

–A Mansão Wayne também é bem silenciosa.

–Você nunca foi numa das minhas festas.

–E quem vai? Seus amigos?

Pausa.

–Você tem planos de longo prazo, Bruce?

–Não morrer de cirrose.

–Onde você se vê em cinco anos?

–Em um lugar qualquer, fazendo qualquer coisa, sem cirrose.

Pausa.

–Bruce, você entende que sua liberação da pena foi condicional ao meu parecer? Você precisa levar isso a sério. É sua vida e seu nome que estão em jogo. O legado da sua família. O legado de seu pai. Eu não posso mentir no meu parecer final quando chegar a hora. Você entende o que pode acontecer?

–O máximo que pode acontecer é eu acabar me acostumando com o lugar. Eu não seria o primeiro Wayne a fazer isso.

–Como assim?

–Ora, doutora, o que quero dizer é que o máximo que pode acontecer seria eu ficar por aqui.

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Mansão Wayne, 5hrs

A manhã chegara discretamente como sempre, porém Bruce, ainda dentro da Caverna, não vira o amanhecer. Após uma ronda rápida pela cidade sem nenhum percalço, ele retornara para tentar dormir um pouco, em vão. Assim que Bruce fechara os olhos, imagens de palhaços, ácidos e mãos brancas estendidas em sua direção o despertavam, enquanto as palavras ressoavam, gargalhadas, em seu ouvido.

“Do químico viestes, para o químico voltarás!”

A frase ainda ecoava em sua cabeça, horas depois, mesmo enquanto tentava se focar no objeto à sua frente. O item era redondo na parte de cima, e sua base era de formato heptagonal e feita de metal, como um pequeno e angular globo de neve. Pequenos tubos se conectavam e se espalhavam em todas as direções, de maneira a formar o esqueleto do objeto, e por dentro dos tubos corria um líquido amarelado. Encontrara na base dele um pequeno orifício metálico, que se provou não ser uma fechadura nem nada semelhante. Além disso, toda a estrutura era hermeticamente lacrada, impedindo qualquer forma de penetrar o invólucro. As evidências levaram Bruce a concluir que aquilo era uma espécie de cofre; embora não soubesse do significado da lâmina de sangue, sabia que ela era importante de alguma forma.

Isso o levou à conclusão de que o líquido que corria por dentro dos tubos era abrasante, para caso alguém tentasse quebrar ou romper o invólucro de vidro, o líquido seria imediatamente derramado sobre a lâmina, deteriorando a amostra de sangue de forma imediata e irremediável.

Bruce Wayne depositou o objeto delicadamente sobre a mesa, observando-o cuidadosamente.

–Bom dia, Patrão Bruce – cumprimentou Alfred através do comunicador que conectava a Caverna ao quarto de Bruce, de Alfred e da cozinha. – O senhor caiu da cama hoje?

–Bom dia, Alfred – respondeu Bruce pelo comunicador. – Não consegui dormir. E você, resolveu acordar mais cedo também?

–Este é o meu horário normal, Patrão Bruce, ao amanhecer – Wayne poderia jurar que ouvia um sorriso na voz de Alfred. – O horário que os morcegos vão dormir.

Bruce sorriu cansadamente.

–Pode servir meu café da manhã no jardim, por favor?

–Claro, patrão.

Já tendo desistido de dormir, Bruce saiu da Caverna, levando consigo a urna de vidro, e se dirigiu para um banho. A água fria era despejada sobre suas costas cobertas de cicatrizes e ferimentos, evocando-lhe memórias de cada um de seus combates; cada chaga tinha sua história, e nenhuma delas terminara bem para todos os envolvidos. Seu ombro ainda ardia de seu último conflito contra o Pinguim, através do qual conseguira evitar uma guerra de gangues. Embora o ardor no ponto onde a bala o atingira o incomodasse, a dor maior vinha das lembranças das famílias que perderam pais, filhos e irmãos durante o rastro de sangue que o Pinguim deixou em seu caminho para montar o Sindicato do Crime. Muitos haviam se aliado ao criminoso por interesses próprios, porém também houvera aqueles que foram coagidos a tal. De qualquer forma, independente das intenções por trás das ações, o resultado era o mesmo: filhas chorando a perda do pai, o irmão abraçando a mãe que perdera seu filho, a viúva soluçando sozinha enquanto o caixão era abaixado ao solo.

Ele fazia questão de acompanhar os enterros. Cada um deles.

Era importante manter em mente que toda ação ou inação do Batman havia suas implicações; ele podia ter se colocado acima da lei pela lei ser fraca, mas a lei maior, a da causa e consequência, nenhum ser, por mais poderoso que fosse, podia suplantar.

Mas encarar as consequências de suas atitudes fora uma escolha que ele fizera quando assumiu o manto de morcego. Havia decisões difíceis a serem tomadas, e alguém tinha de fazê-lo. E Bruce Wayne as fez.

A justiça podia ter os olhos vendados, mas o Batman não.

O que equivalia ao fato de o Batman não ser a justiça, nem justo. Até que ponto seus atos seriam legitimados por sua própria consciência?

“Somente teremos a paz perfeita quando tivermos a justiça real”, dissera Lonnie Machin na televisão. O que ele dizia fazia sentido. Será que o Batman, ao invés de ajudar a cidade, estava apenas a impedindo de amadurecer e crescer sozinha? O que aconteceu a todas as outras metrópoles que não tinham um vigilante para protegê-la?

Seria ele o antídoto ou o próprio veneno?

Do químico viestes…

Bruce balançou a cabeça com força para espantar a memória e os pensamentos que lhe perturbavam. Não havia problema em questionar-se, porém nunca deixaria isto se interpor entre o Batman e o que precisava ser feito.

Ele podia não ser a justiça real, mas era a única justiça com a qual Gotham poderia contar.

Era à esta conclusão recorrente que Bruce chegava enquanto se sentava para comer no jardim dos fundos da Mansão Wayne. Alfred o esperava, impecavelmente vestido e arrumado, aparentando estar totalmente desperto, embora ainda não fosse seis da manhã. O criado o cumprimentou com um leve inclinar de seu tronco, e Bruce lhe retribuiu com um aceno.

–Aproveitou a insônia para analisar sua encomenda, patrão? – Perguntou Alfred quando Bruce depositou o objeto sobre a mesa.

–Sim, mas sem nenhum avanço.

–E o senhor pretende fazer algo a respeito?

–Verei se Fox tem alguma novidade sobre os diretores da Wayne Mining. E eu tenho que dar material para a Dra. Kerman estudar e passar o tempo na minha décima consulta hoje. No Arkham – respondeu Bruce, com uma entonação significativa.

Os olhos de Alfred brilharam com entendimento.

–Irá aproveitar para tentar arrumar alguma pista em relação a esta… Charada?

Bruce sorriu.

–Exatamente o que eu pensei.

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Consultório da Dra. Kerman no Asilo Arkham, 18hrs.

–Você tem mostrado um avanço significativo, Bruce.

–A senhora acha?

Eles estavam sentados em confortáveis poltronas no luxuoso escritório da doutora Kerman. Ela, com seus cinquenta anos, mantinha um porte altivo, seus olhos azuis sempre vibrando de um misto estranho de calma e curiosidade, enquanto seus cabelos tingidos de loiro caíam-lhe em ondas até os ombros.

–Tenho certeza – ela reafirmou – Porém ainda temos um longo caminho pela frente. Faltam 20 horas do acompanhamento estipulado pelo juiz.

–Eu sei – Bruce respondeu, com um ar cansado. – Ainda assim, um terço já foi.

A doutora Kerman assentiu, mas continuou a mirá-lo.

–Você tem tido problemas para dormir?

Há 25 anos.

–Sim, minhas últimas noites não têm sido muito fáceis.

–Álcool? – Perguntou Kerman, cética.

Depende. Inicialmente armas fumegantes, depois morcegos, depois surras e figuras bizarras. Mais recentemente, palhaços.

–Não dessa vez – ele retrucou, sorrindo.

Kerman assentiu vagarosamente, e Bruce notou sinais em seu rosto. Sua testa se enrugou por um curto momento enquanto ela espremia seus lábios e desviava seu olhar para a esquerda.

Ela teve uma ideia que a deixou em conflito. Será que ela está interessada em mim?

–Sei que isso pode soar meio antiético da minha parte – Kerman iniciou, insegura -, mas… Você tem traços profundos de ansiedade, Bruce. Creio que seria interessante controlar isso, mesmo antes de alcançarmos o cerne do que lhe deixa assim.

Kerman se levantou, enquanto Bruce a olhava confusamente, e pegou um frasco em seu armário.

–Tome somente um toda noite. Irá lhe ajudar a relaxar e dormir.

Bruce tomou o remédio em suas mãos. O rótulo dizia “Dercaloxes – Crane Chemicals” e a composição se seguia em volta da caixa.

–Você pode fazer isso? – Perguntou Bruce, sorrindo.

–Talvez não. Mas eu sei como é se sentir pressionado além da conta – ela mexeu em sua bolsa e tirou um frasco idêntico de lá, sorrindo de forma cúmplice. O sorriso de Bruce se alargou.

–Bem – ele comentou, guardando o frasco -, eu não vou contar se você não contar.

–Justo – Kerman assentiu. – E por hoje é só, Bruce. Vá para casa, descanse. Você está precisando.

Bruce assentiu, e se pôs de pé.

–Ah, uma última coisa – chamou Kerman. – Seu dever de casa para a próxima segunda-feira será listar três medos seus, três coisas que te assombrem.

Poços.

–Segunda-feira?

–Por que, é muito tempo?

Morcegos.

–Não acho que consigo descobrir ou inventar três medos em cinco dias – Bruce explicou, com um tom altivo.

–Se esforce – Kerman retrucou, sarcástica. – Aposto que você encontra pelo menos uma coisa que te amedronte e te faça perder o sono.

Palhaços.

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Celas de contenção do Asilo Arkham, 20hrs.

O breu reinava soberano nos corredores do subsolo do Asilo Arkham.

A escuridão ainda trazia como consortes um frio enregelante, que parecia emanar do próprio solo, e um silêncio absoluto, apenas rompido pelos ruídos dos ratos que raspavam o interior das paredes de pedra.

Ali, sozinho, um homem balbuciava frases obscuras para o nada que o cercava.

–Sou congelado, mas não frio. Estou em chamas sem queimar. Estou no deserto para me queimar. Estou na chuva para me molhar.

Edward Nigma abaixou a cabeça, sussurrando a resposta da charada para si mesmo, e rindo ruidosamente em seguida.

–Se eu tenho dez moedas e cinco desaparecem e ninguém nota, quantas cédulas me restam?

Antes que pudesse responder a si mesmo, Nigma sentiu algo se movimentando nas trevas. Ele ergueu a cabeça, olhando para dentro da escuridão, arregalando os olhos para enxergar melhor – sem sucesso. Após alguns segundos, desistiu e voltou para sua charada.

–Se eu tenho dez moedas e…

Novamente sentiu algo se movendo no breu a sua volta. Desta vez se pôs de pé em um pulo.

–Quem está aí?! – Rugiu ele para o nada – Eu sei que tem alguém aí! Quem está…

Ouviu um estampido surdo imediatamente antes de sentir uma garra pegando-lhe pelo ombro. Seu corpo foi guinchado para frente, e só parou quando sua face atingiu a grade.

A um palmo de distância do seu rosto, o Batman o erguia pelo colarinho a trinta centímetros do chão com uma só mão, enquanto a outra, posicionada em frente ao seu rosto, mandava Nigma fazer silêncio.

–Você não quer acordar os vizinhos, Charada.

Mesmo no escuro, àquela distância Nigma podia enxergar os dentes de Batman violentamente cerrados. Após o primeiro momento de susto, Nigma conseguiu recuperar a compostura.

–Olá, Morcego – ele disse, com a voz já calma – A que devo a visita?

–Me diga você. – Batman respondeu, soltando-o. Nigma caiu com um baque surdo, levantando-se devagar em seguida.

–Adoraria ser de auxílio à maravilhosa criatura que me pôs neste spa de férias forçadas, mas não sei do que você está falando.

Batman sustentou seu olhar por alguns instantes antes de levar a mão a um dos compartimentos de seu cinto, de onde tirou algo que se assemelhava a um globo de neve. O Morcego então estendeu a mão através da grade exibindo o objeto para ele.

–O que é isso? – Perguntou Edward, estendendo a mão para o item, com óbvia curiosidade.

–Um enigma. – Retrucou Batman.

Os olhos de Charada se acenderam com uma fagulha esverdeada.

–O Quiróptero está querendo brincar? – Provocou o Charada, com um meio sorriso no rosto.

–Não, mas alguém quer.

Charada estendeu a mão cautelosamente para o item, tomando-o com cuidado. Batman levou a mão até o capacete e um feixe de luz branca iluminou o local, cegando Nigma temporariamente. Ele piscou por alguns instantes antes de conseguir focalizar exatamente o que tinha em mãos.

–É um criptex.

–Isso eu já sei. Diga-me algo novo.

Charada olhou contrafeito para o Morcego e depois passou a examinar o objeto.

–Ele está usando o meu símbolo! – Exclamou Nigma, furioso.

–Embora você não tenha inventado o ponto de interrogação, eu percebi isso também. Por isso vim até você primeiro.

Charada não o ouvia mais.

–Isso é ácido – comentou ao ver o líquido amarelado correndo pelos pequenos tubos.

–Ácido nítrico, pela coloração. – Retrucou Batman – Pelo tom de amarelo, já deve estar aí há alguns anos.

–Está lacrado, e não se pode quebrar…

–…Se não destruiria a lâmina e o que ela contém. – Completou Batman.

Charada rangeu os dentes, frustrado.

–Se você já sabe o que é, para que precisa de mim?!

–Eu preciso abri-lo.

–E o que eu ganho com isso?

Batman o puxou novamente pelo colarinho.

–Eu posso te dizer o que você não vai perder se você fizer o que eu estou falando.

–Não se afobe, microquiróptero – desafiou Charada, encarando Batman diretamente nos olhos -, e não me faça ameaças. Olhe em volta! O que você pode me tirar que eu já não perdi?!

Batman não respondeu e, após alguns instantes, o recolocou no chão.

Charada se pôs a tatear e observar cada milímetro do criptex, virando-o em várias posições e ângulos, colocando-o contra a luz e movimentando-o de todas as formas possíveis. Bruce não conseguiu deixar de sentir pena, mesmo que por um breve instante, do rascunho de homem em sua frente; obcecado, gasto, destruído. A esperança de momentos como aquele eram o fio tênue que mantinham aquele homem vivo.

–Ha! – Charada exclamou ao encontrar a reentrância metálica no fundo do criptex. – O que será isso? É pequeno demais para ser uma fechadura, não é um teclado, não é uma caixa… O que é você? Hein, pequeno furo, o que é você? Fale comigo!

Então, independente da luz, o rosto do Charada se acendeu. Ele soltou uma gargalhada, segurando o objeto firmemente em mãos.

–Silêncio – rosnou Batman, ameaçando puxá-lo novamente. Desta vez, entretanto, Charada não pareceu se importar.

–Ele não vai falar comigo, sabe por quê? – Ele tinha um sorriso vitorioso no rosto, aparentando total sanidade pela primeira vez na noite. – Porque ele só escuta.

–Um microfone – fazia todo sentido. Senhas escritas ou digitadas poderiam ser descobertas com mais facilidade do que um som, que nem precisava necessariamente ser uma palavra.

Charada agora olhava em volta, claramente atormentado. Buscava nos recônditos de sua mente qual poderia ser a palavra-chave. Voltou a olhar a caixa, então seu sorriso se alargou. Aproximou o objeto de seus lábios, sussurrando:

Sete.

Nada aconteceu.

–Não faz sentido. É a única resposta. É a única pista, o formato da base. Sete lados. Sete. É a única resposta. Não faz sentido.

Ele travou, notou Bruce. Passando a mão agilmente pela grade, Batman tomou o objeto de volta, levando Charada a soltar um gemido de desespero.

–Obrigado por nada, Nigma.

–Não! Por favor, não! – Clamou o farrapo de homem na cela, enquanto Batman desligava o feixe de luz e virava as costas. – Volte! Deixe-me tentar mais um pouco! Oh, meu Deus, Batman, por favor, se descobrir, ME CONTE!

Nigma se deixou cair ao chão, tremendo, enquanto a escuridão o tragava novamente, e nenhum tipo de luz o iluminava de forma alguma.

Estava mais uma vez sozinho. No escuro.

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A Caverna, 22h48

A noite era fria, e a Caverna não era diferente. Iluminado somente pelo televisor a sua frente, onde Lonnie Machin fazia o discurso no “Dia D-6” de sua contagem regressiva para algum evento ainda não revelado, Bruce dividia sua mente entre o movimento “Justiça Real” e o objeto em sua frente.

Realmente esperara que o Charada fosse capaz de resolver o criptex. Sentia que algo maior do que imaginara no início estava se desenrolando ao seu redor. Tomou o criptex da mesa, encarando-o fervorosamente, sem imaginar como abri-lo.

–Sete – disse no microfone da base, esperando que algo fosse acontecer, não pela primeira vez, e frustração já começava a assomar – Bruce Wayne. – Nada aconteceu. Já começava a cogitar um modo de quebrar o criptex sem danificar a amostra de sangue quando uma luz vermelha começou a piscar no painel de seu computador.

Bruce imediatamente pôs o objeto na bancada para atender Gordon. A linha direta entre Gordon e um número irrastreável, cortesia da Wayne Tech, fora dada pelo Batman ao Comissário para quando este precisasse de auxílio, porém de maneira discreta. Nem todos os casos cabiam o uso de um canhão de luz com um morcego no céu.

Clicou um botão, e então a voz de Gordon saiu dos alto-falantes.

–Preciso de sua ajuda. – Iniciou Gordon, direto.

Bruce apertou outro botão no painel para acionar a distorção de voz.

–Pode falar.

–Caucasiano, 30 anos, atravessado por uma lâmina no túnel sob o Rio Finger.

–Estou a caminho.

Bruce se levantou com agilidade para colocar o uniforme, quando uma ideia sombria se formou em sua mente. Relutantemente ele tomou o objeto nas mãos e o levou próximo aos seus lábios.

Pela primeira vez desde a chegada do criptex, torcia para que ele não respondesse.

–Batman.

Por um instante, nada aconteceu.

Até que houve um clique, e o globo se abriu.

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